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«Introdução O modo de vida caiçara se desenvolveu no litoral paulista entre o fim do século XIX e o começo do século XX, nos interstícios dos ...»

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O TURISMO E REPRODUÇÃO DO MODO DE VIDA NA

COMUNIDADE CAIÇARA DE PEDRINHAS, ILHA COMPRIDA-SP

Fabiano Felix Teixeira

Graduando em Geografia/FFLCH/USP, fabiano.teixeira@usp.br

Maurício Vinícius Gomes Freitas

Graduando em Geografia/FFLCH/USP, mau.vinicius@gmail.com

Prof. Dr. Júlio César Suzuki

Departamento de Geografia/FFLCH/USP, jcsuzuki@usp.br

Introdução

O modo de vida caiçara se desenvolveu no litoral paulista entre o fim do século XIX e o começo do século XX, nos interstícios dos grandes ciclos de capital que passaram pela região (DIEGUES, 2005). Baseado em uma economia de subsistência, em uma forte ligação tanto com o mar (pela pesca) quanto com a terra (pela pequena roça), os caiçaras desenvolveram um linguajar próprio, uma cultura diferenciada, um modo de vida peculiar.

O modo de vida caiçara tem se alterado substancialmente nos últimos anos. Todo um conjunto de valores, visões de mundo, práticas e símbolos compartilhados, que formam a cultura caiçara tradicional, está hoje em mudança. Tais mudanças se evidenciam na forma como organizam a produção material e nas relações imateriais presentes no grupo.

Na mudança do modo de vida, a atividade turística teve forte impacto. Além da entrada do turismo, o contato maior com as cidades próximas, a poluição atual que diminuiu a possibilidade de pesca e a presença da pesca industrial são alguns dentre os fatores mais relevantes nas metamorfoses atuais do modo de vida, da cultura e da tradição caiçara.

Objetivo O presente trabalho tem como objetivo analisar a natureza das transformações da comunidade de Pedrinhas, na Ilha Comprida, seja nos seus aspectos materiais ou imateriais da reprodução do seu modo de vida, tomando como referência o impacto da atividade turística, sobretudo nas três últimas décadas.

Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 Metodologia Com base em trabalho de campo, fundado em entrevistas com os moradores, em composição de séries fotográficas, análise de documentos de arquivos particulares dos moradores (fotos, matérias de jornal, certidões de nascimento e de óbito, títulos de propriedade, dentre outros), além de pesquisa bibliográfica, pretendemos compreender as determinações desse processo de metamorfose, bem como as práticas socioespaciais contemporâneas presentes nos grupos que lhes permitem a reprodução da vida em Pedrinhas.

Ilha Comprida e modo de vida caiçara No contexto regional, Ilha Comprida está no Vale do Ribeira. É considerada a região mais pobre do estado, mesmo tendo uma grande riqueza hídrica e mineral. O vale começou a ser ocupado no século XVI, com o papel de defesa e expansão do território português. No século XVII descobre-se ouro, trazendo forte ocupação e o intensa atividade aurífera, cuja decadência se dá com a descoberta das jazidas de Minas Gerais, ocorrendo inclusive o deslocamento de parte da população, em busca do ouro. Nessa época a região conheceu o apogeu da construção naval, com abertura de vários estaleiros. Após o fim da extração aurífera, parte dos moradores intensificou a produção agrícola.

No século XIX, teve desenvolvimento a cultura do arroz, tendo importante participação das exportações desse produto. A população de Iguape nessa época se equiparava a de Santos, já então principal porto da província. Com o intuito de melhorar a circulação na produção, foi feita a abertura de um canal ligando o Mar Pequeno ao Rio Ribeira. É considerada a primeira grande obra hidráulica do país, concluída em 1852, mas acabou sendo mal planejada. O canal inicial de apenas quatro metros foi alargado pela água, causando assoreamento e transformando o que seria um importante porto em um canal raso sem possibilidade de acesso de embarcações, contribuindo para decadência econômica da região. Ainda hoje essa obra traz grandes percalços para a região. Seja pelo aspecto da grande quantidade de água doce que ele despeja no mar pequeno afugentando diversas espécies marinhas, ou pelo veneno que advém das plantações de banana das suas margens que contamina as águas por onde passa, Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 matando toda a biodiversidade ali existente. Com a abolição do trabalho escravo e as dificuldades no transporte, a produção de arroz entrou em declínio já na virada para o século XX.

Com o declínio de cada atividade econômica, as relações com o mercado tornavam-se tênues, ocorrendo em Ilha Comprida principalmente na venda de peixe salgado a Iguape e Cananeia, de lenha para barcos a vapor e das esteiras de piri, para o porto de Santos. Contudo, a agricultura quase de subsistência e o extrativismo marcavam a forma de sobreviver da população local. A dificuldade de acesso, somada às condições históricas e econômico-sociais em tela, atribui-se a gênese do modo de vida caiçara, de seu linguajar característico, de sua maneira singular de ver o mundo e representá-lo, de organizar a vida e o trabalho, de transmitir via oralidade sua cultura.

Para Diegues (1996), a cultura tradicional é definida como:

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O que caracteriza, em primeiro lugar, o modo de vida caiçara é a relação íntima com o mar, principalmente por meio da pesca, e com a terra, por meio da pequena agricultura realizada com trabalho familiar. Toda uma culinária especial se desenvolveu no meio caiçara expressando essas condições materiais, tendo sua principal representação no muito típico prato caiçara “azul marinho”, feito com peixe (mar) e Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 banana (terra). No peixe, tem-se sua principal forma de subsistência, enquanto que na lavoura de cultivo familiar planta-se milho, feijão, banana e, principalmente, mandioca para consumo direto e para fabricação de farinha.

As comunidades caiçaras têm ainda como singularidades a falta de noção de autoridade formal, a pouca importância dada às instituições oficiais, como casamentos, e a reduzida acumulação de capital (DIEGUES, 1996). O tempo de trabalho é caracterizado pelo tempo cíclico da natureza. O trabalho ainda não é mercadoria. Com poucas relações com o mercado e uma economia quase de subsistência, os caiçaras desenvolveram suas técnicas de produção voltadas para preservação dos recursos naturais dos quais dependiam em grande medida. Da mata, retiram ervas para remédios, caça para complemento alimentar, madeira para instrumentos de pesca, canoas e instrumentos musicais, estes, em especial, feitos com a caixeta, tornando as festas caiçaras animadas pelo estilo musical do fandango.

O Vale possui a maior reserva de mata atlântica paulista, abrigando muitas unidades de conservação. Como já bem observaram alguns autores (DIEGUES, 1996), não é coincidência que justamente as áreas de concentração de populações tradicionais tenham hoje os maiores índices de preservação. O modo de vida tradicional exercido em equilíbrio com o meio natural permitiu a ocupação destas terras ao longo de gerações com degradação ambiental mínima. Mesmo assim, a legislação ambiental atual restringe as práticas tradicionais que tanto conviveram com aquele meio, mas não bastam para barrar o aumento na emissão de poluentes nos cursos d'água, a pesca industrial e os recentes loteamentos que se proliferam. Em alguns casos, essas leis causaram o deslocamento de populações tradicionais de lugares onde viveram anos sem depredação do ambiente.

Inserida no contexto regional, a comunidade de Pedrinhas, na Ilha Comprida, possui as suas especificidades locais e seus contextos próprios. Está localizada no município de Ilha Comprida. Trata-se de uma ilha peculiar, com grande extensão e pequena largura: cerca de 72km de extensão por 4km de largura. Almeida (1950) foi um autor pioneiro nos estudos do litoral sudeste, tendo feito uma caracterização da Ilha Comprida. Mais recentemente, Queiroz e Pontes (1996) realizaram um breve estudo dos aspectos ambientais da ilha.

Pedrinhas está situada dentro da área de proteção ambiental de Ilha Comprida Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 (APAIC), e esta por sua vez se encontra subordinada à área de proteção ambiental de Iguape-Cananéia e Peruíbe (APACIP). Em linhas gerais, as APAS são unidades de conservação que tem como objetivo proteger e conservar o ambiente natural de uma determinada área (CARVALHO, 1999, p. 134). Dentro desse contexto, a APAIC é dividida por zonas urbanizadas; ocupação controlada; núcleo de pescadores; proteção especial; e vida silvestre. Pedrinhas aparece como zona urbanizada, na qual de maneira controlada podem se abrir loteamentos.

A Ilha Comprida tem sua face leste voltada para o Atlântico e sua face oeste voltada para o Mar Pequeno, um braço de mar. Na ilha, encontram-se variadas espécies de madeiras, como a caixeta, utilizada nos instrumentos musicais, a guaricica, timbaúva, maçaranduba, figueira, entre muitas outras. Com grandes tempestades e as fortes correntes marítimas nas altas marés, o fenômeno da erosão é comum e acaba por dragar, por vezes, partes importantes da costa, como aconteceu a uma antiga fortificação para defesa de Iguape, desaparecida no começo do século XX.

A vegetação original da ilha é de restinga, hoje muito devastada pela presença das residências de veraneio, tendo sido essencial para fixação das dunas e estabilização dos mangues, onde ocorre a reprodução de muitas espécies marinhas. É responsável pelo complexo estuarino-lagunar Iguape-Cananeia, uma vez que constitui uma barreira que protege o Mar Pequeno das influências diretas do oceano. Seus mangues e terrenos alagados são habitat para várias espécies.

Os terrenos são alagadiços, devido ao grande número de fluxos de água que acabam por desaguar no mar, dificultando a ocupação humana. Os lençóis freáticos são rasos, com alguns aflorando em superfície; com essa pouca profundidade, há um acúmulo de sais na água, seja por sedimentos marinhos ou trazidos pelo vento, tornando as águas salobras e impróprias para consumo. Já na década de 1950, Almeida (1950) nos relatou problemas de acesso à água, quando os moradores, às vezes, necessitavam se deslocar ao continente para abastecer suas residências. Há uma impossibilidade de se canalizar e direcionar total e corretamente os fluxos de água, que são facilmente visíveis nas ruas conforme andamos pela comunidade de Pedrinhas, o que acarreta as maiores dificuldades na ocupação urbana e na preservação do frágil ecossistema da ilha. Com o advento das segundas residências, houve uma obstrução desses pequenos fluxos prejudicando o ecossistema local e também contaminando a água com esgotos Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 domésticos. Durante as temporadas, essa contaminação aumenta significativamente.

Esse não será, contudo, o impacto determinante do turismo, mas sim a transferência das atividades econômicas para sua órbita hegemônica.

Turismo e mudanças no modo de vida caiçara em Pedrinhas O turismo é uma prática social, econômica, cultural e política. O espaço é sua mercadoria e seu valor de uso é submetido pelo valor de troca. A atividade turística possui uma espacialização bem específica, uma vez que todos os locais do planeta são ao menos potencialmente turísticos, dando a atividade esse caráter abrangente (CRUZ, 2006). A definição do que é ou não turístico é construída socialmente e historicamente, sendo que a procura por belezas naturais, inclusas as praias, é relativamente recente.

Na comunidade de Pedrinhas, o turismo é o de pesca, em que o produto final é, além do lazer, o peixe pescado. O turismo de praia torna-se presente durante as temporadas. Considerando a importância do peixe para atividade turística, constatamos, em trabalho de campo, que o aumento nos índices de poluição e a pesca industrial tem direta determinação na economia da comunidade, uma vez que diminuem significativamente a quantia de peixes.

Em Pedrinhas, manifestou-se com maior intensidade o fenômeno da segunda residência. As dinâmicas urbanas introduzidas no meio caiçara da comunidade de Pedrinhas produziram relações sociais peculiares que se sobrepõem às práticas tradicionais, mudando e dando novo significado aos símbolos do modo de vida, da cultura e da tradição caiçara, sendo que essas alterações implicam em determinações diretas de mudança na forma como se organiza a produção material e imaterial da comunidade em geral.

Não entendemos a cultura como algo estático. A cultura é uma dimensão do processo social, o qual é dinâmico como a sociedade que o gera. É um produto da coletividade humana, da vida em sociedade. Ao longo do processo histórico, vai se modificando, assimilando elementos externos, rompendo por forças internas, mudando paradigmas de organização da vida.

A cultura está associada a conhecimento, este é fator de mudança social. É a forma pela qual a realidade que se conhece é codificada e representada. Não é, contudo, apenas uma expressão, um reflexo de outros aspectos da sociedade. A cultura expressa Realizado de 25 a 31 de julho de 2010. Porto Alegre - RS, 2010. ISBN 978-85-99907-02-3 aspectos de uma sociedade que ajuda a produzir.

A grande questão quanto à dinâmica da cultura caiçara é justamente o paradigma das mudanças atuais. O contato entre culturas sempre foi comum ao longo da história humana, mas a aceleração desses contatos é recente. Grupos isolados tendem a desaparecer enquanto aparentemente caminhamos para a formação de uma civilização mundial (LUIZ DOS SANTOS, 2006). A cultura, agora em movimento, caminha junto às mudanças sociais entre os caiçaras. Contudo, a influência é sobretudo externa, imposta de fora para dentro pela sociedade urbana, alheia aos sujeitos da comunidade.

As restrições ambientais afastaram-nos da agricultura; a presença do turismo hegemoniza a atividade econômica; as práticas de sociabilidade e de reciprocidade vão ganhando novos contornos e, aos poucos, vemos o modo de vida caiçara ser assimilado e tornar-se mais próximo da sociedade urbano-industrial, assim, os caiçaras passam a olhar a si mesmos com esses novos olhos.

Dessa forma, vemos o abandono das práticas tradicionais de trabalho para adesão a atividades turísticas. Em muitas entrevistas feitas em campo, constatamos a preocupação de moradores com a diminuição da demanda no turismo. No caso do declínio da atividade turística, não torna-se hoje mais viável o retorno às práticas antigas. Nos níveis atuais de competição no mercado, as técnicas caiçaras (que por sinal não são mais conhecidas entre a maioria dos jovens) mostrariam-se antiquadas, além das restrições ambientais. A saída do que hoje é a principal fonte de renda dos moradores teria efeitos econômicos catastróficos para os moradores. A inserção no circuito de capital desarticulou sua forma anterior de organização material e imaterial, re-significando símbolos e valores, inviabilizando as práticas antigas e tornando-os mais dependentes do modelo atual, no qual os impactos ambientais e sociais ainda não podem ser precisamente aferidos.

É dessa forma que as festas caiçaras passaram a perder seu significado, acontecendo o desaparecimento gradativo da prática do mutirão, do fandango, do compadrio. A mudança na relação com a propriedade e com o espaço da comunidade mostram as novas ideias vigentes, como a recente introdução das cercas nas casas onde antes eram de praxe os quintais familiares em comum.



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